30/11/2010

ASCENSÃO E QUEDA DA CIDADE DE MAHAGONNY




Da obra de Bertolt Brecht
Direção Carmen Fossari

DIAS 4, 5 E 6 DE Dezembro, as 21.00 H, no Teatro da UFSC TRINDADE, informações 37219348 no DAC entrada franca, chegar com meia hora de antecedência

(Texto de http://www.carmenfossari-armazemdapalavra.blogspot.com/ )

A ENCENAÇÃO

Brecht um dramaturgo cuja visceralidade muito contribui na formação dos estudantes de Teatro, atores e atrizes que estão a nascer , na formação de novas platéias e naturalmente aos atores e públicos que já percorrem o universo teatral, portanto é sempre salutar estarmos diante de um texto de Brecht.

Este que agora encenamos, ASCENSÃO E QUEDA DA CIDADE DE MAHAGONNY, que bem poderia na nossa montagem ser denominado O QUE FLORIANÓPOIS TEM DE MAHAGONY, é um texto da obra DIDÁTICA de Brecht da metade do século XX . A obra teatral do dramaturgo revolucionava e chocava o público teatral, acostumado a um teatro “bem comportado”. Na montagem original de Ascensão e Queda da Cidade de Mahagonny aquele público encontrava uma a cena de aparentes insultos, atrevimento, com recursos didáticos,repleta de cartazes, e reveladora de como as cidades, dentro do sistema capitalista são “uma arapuca”.Mahagonny onde tudo é permitido.

Brecht coloca seus personagens construindo uma cidade onde tudo é permitido desde que se tenha muito ouro. O preço de não ter ouro é a impossibilidade de sobreviver na cidade de Mahagonny!

Com composições de Kurt Weill o texto original é uma obra de Teatro Musical, na nossa encenação trata-se de uma obra de caráter não musical, embora mantida a belíssima composição tema da peça.

Optamos em ambientar o espetáculo ao universo do cinema mudo, inserindo imagens e áudio visual resgatando os anos 30 e 40. Esta opção, em parte realiza um utópico sonho da diretora e adaptadora do texto,de ter visto “um dia “Sir Charles Chaplin e Bertolt Brecht sentados numa mesa de bar conversando sobre suas obras: o filme Tempos Modernos e a Peça Na Selva das Cidades. Assim que foram inseridos na encenação uma personagem, o Narrador Brecht que entra em cena “costurando a dramaturgia” e outra , uma personagem que adentra na cena acompanhando Bert Brecht, sem contudo dialogar com ele, realiza pantomimas clássicas do Carlitos. Esta segunda personagem denominamos “Chaplita”.

Na peça ao inserimos a fusão de linguagens teatro e audiovisual (imagens e pequenos vídeos do cinema mudo) tentamos nos aproximar do sempre moderno Brecht, adequando as quase 7 décadas do texto escrito a montagem atual.

Brecht e sua dramaturgia e enunciados estão "vivos" em suas idéias ainda tão necessárias num mundo dividido em classes sociais, ricos e pobres, cultos e analfabetos, os que tudo podem e os que nada têm.

Um espetáculo que deita um olhar poético e mordaz sobre o nascimento e queda de uma cidade, movida pelo ouro.

A peça conta com alunos do Curso de Artes Cênicas do CCE, através de uma disciplina optativa Montagem, com alunos da Oficina Permanente de Teatro, DAC- SECARTE.Produção Pesquisa Teatro Novo –DAC-UFSC

ELENCO
Alexandre Borges – Joseph
Ana Paula Lemos - Jenny
Douglas Maçaneiro – Um tal Bert Brecht
Eduardo Stahelin - Coro Masculino
Giovana Ursini – Maysa Trindade
Iris Karapostolis - Cantora
Jacque Kremer - Leokadja Begbick
Kátia Maczewski - Procuradora
Laura Gill Petta –Coro Feminino
Letícia Costa - Coro Feminino
Luis Tinoco - Jackob
Márcia Cattoi - Coro Feminino
Mel Rezende - Coro Feminino
Neivania Theodoro - Coro Feminino
Neusa Borges - Coro Feminino
Priscila de Souza Serafim - Chaplita
Roberto Moura - Heinrich
Robson Walkowski - Paul

(* Alguns nomes foram trocados para nomes similares em Português, O Porcurador e Willy, são nesta encenação, interpretados por mulheres e transformados em personagens femininos. Chaplita e Bert Brecht, são criações para a dramaturgia desta encenação. C.F.)

Técnica
FIGURINO: O Grupo
CENÁRIO: O Grupo
OPERADOR DE SOM: Nei Perin
CARTAZ: Márcia Cattoi
Fotolito: Michele Millis
Impressão:Imprensa Universitária
OPERADOR DE AUDIO VISUAL: Ivana Fossari
SONOPLASTIA : Calu
MIXAGEM SOM : Sérgio Bessa
PREPARAÇÃO DE CANTO: Ive Luna
FOTOGRAFIA : Marcelo Pereira e Calu
ILUMINAÇÃO , DIREÇÃO GERAL : Carmen Fossari
Promoção: DAC
Apoio : SECARTE - UFSC 50 ANOS

SERVIÇO: DIAS 4, 5 e 6 as 21.00 TEATRO DA UFSC - ENTRADA LIBERADA (CHEGAR MEIA HORA ANTES) Informações DAC 33719348. Horário vespertino Informações www.carmenfossari-armazemdapalavra.blogspot.com

Promoção: DAC

Apoio : SECARTE - UFSC 50 ANOS

24/11/2010

Infinito





TRAÇO O INFINITO
PARA DO CONTRÁRIO
DEIXAR A FINITUDE FALAR
PARO NO TEMPO
COMPARO O SISTEMA
CRIADO PARA MOSTRAR
AQUILO QUE NÃO TEM FIM
LIGADOS OS TRAÇOS
SE DEIXAM LEVAR
PELO COMPASSO DAS HORAS
PEQUENA CONDIÇÃO

DETALHE A ONDULAR

21/11/2010

A Ponte


Sentado sobre a ponte, não conseguia organizar as idéias. Enxurradas de pensamentos mesclados doíam-lhe pelo corpo imundo. Enxurradas também de águas, abaixo dos pés. Foi-se o casebre e a pequena lavoura, foi-se tudo de uma vez. Agora lhe escapava a lucidez. Não conseguia expressar sentimento algum, era como se ele próprio tivesse ido também.

Buscou alguma coisa na memória que lhe fizesse recuar, mas ainda escutava o estrondo do desmoronamento. Olhou então fixamente para a água barrenta, volumosa torrente e uma chance de paz.

Buscou, a duras penas, algo em volta, um alento. Nada. Ficou ali num vazio sem fim, num silêncio ensurdecedor. Olhou para os seus pés pendentes, suas mãos cruzadas e vagarosamente foi tomando consciência através das mãos. Ali estava marcada uma vida inteira. As cicatrizes, rugas, manchas, vestígios impressos pelo trabalho, a terra e os grãos, e todas as raízes. O tempo. E dentro, pele, ossos, veias, o sangue correndo como aquele rio de lama. Os dedos, feitos para segurar, tocar, tudo tão vivo e tão vigoroso... Tão perfeito...
Dois rumos ou as águas, eis o que se tem - pensou. Bem, e as mãos... As mãos. Desceu do beiral e andou, engatinhou e rastejou sobre aquela ponte, suspensa no espaço, hesitante no tempo, a busca de uma fresta, um caminho plausível digno daquela perfeição.

05/11/2010

ÁGUA



O Passado mais remoto
Que a minha memória alcança
Surge impróprio
Invasivo
Como uma idéia que se lança.

Uma imagem um sabor
Um aroma uma lembrança
Uma porta pra outro tempo
Abre-se espontaneamente
E eu volto a ser criança.

Um sonho
Águas passadas
Uma gota que rolou
Neste meu rio de histórias
Quero esquecer
Já são horas
Urge uma boa mudança

Mas as pequenas marcas
Ficam em mim registradas
Deixadas no leito do rio
Bem como as pedras roladas

Quem sou eu afinal
O rio que passa ligeiro
E forte traça seu rumo
Ou as pedras que embaixo dele
Revelam suas formas boleadas
E isto não se pode negar:
Harmônicas mas...
Talhadas