27/07/2010

Poeminha Infantil

Um canto de menina
Eu ouço pela folhagem
Uma borboleta bailarina
Brinca na minha paisagem.

O canto que me acompanha
Durante toda minha vida
Será uma sábia aranha
Que tece uma teia comprida?

Será um pássaro errante
Que voa sem despedida
Ou uma fada num instante
Da minha mente distraída
Que rouba minha razão
E nela pousa desinibida?

Pois é neste momento vibrante
Que o meu canto é mais bonito
Soa livre e pueril
Até pousar num papel
Num poeminha infantil.

21/07/2010

Alegoria Noturna


Tecia avidamente com o fio da existência, aceitando o que viesse à sua mão. Munida de uma vontade que não se explica, tomava o fio dos acontecimentos e os tecia. Com o tempo, veio a ousadia da juventude, então juntou também o fio das idéias inesperadas, da sede de conhecer e de se doar para o mundo, produzindo um tecido mais colorido do que nunca. Viajou por muitos lugares, explorando outras linhas de pensamento. Juntou-as ao seu fio da memória, recriando desenhos universais. Híbridos. Sensíveis.
Mais um tempo se passou e ela conheceu a experiência, a sabedoria, o limiar da perfeição de Aracne. Com os fios prateados sobre a testa, teceu preciosidades nunca antes imaginadas. Teceu as filosofias complexas e as vivências ecológicas, teceu as histórias do planeta e as vanguardas, as ciências e seus paradigmas sistematicamente quebrados. Teceu a exatidão da matemática e a força reveladora da arte. Teceu a abundância e a miséria.
Uma noite, entre mil e uma, sentiu que a vida foi se esvaindo devagar. Com a vida por um fio, todo tecido passou defronte dos seus olhos e então...
Deixou-se levar por seu tapete mágico.

16/07/2010

Cálice

O CÁLICE CHEIO
OUTRO MOMENTO
CONTEÚDO AO MEIO
RAZÃO
TORMENTO
FOGE
A
O
S
P
O
U
C
O
S
OUTRO MOMENTO
SE FOI POR INTEIRO

15/07/2010

Pedro e a Galinha Maricota


Pedro e a Galinha Maricota
Esta é a história de Pedro,
Um menino muito travesso.
E de como ele aprendeu a gostar,
Embora não fosse assim no começo,
Dos animais e seus filhotes,
E com amor, a todos tratar.
Quem lhe ensinou tal lição,
Foi Maricota, a galinha.
Se quiser saber mais então,
Leia este livro, linha por linha,
Pequeno, mas feito "de coração".
O livrinho saiu agora mesmo da gráfica. A história é de Julião Goulart e as ilustrações são minhas, como as duas (imagem da capa, colorida, e de uma parte da história, preto&branco) que podem ser vistas aqui. Como ainda não ocorreu o lançamento, não há endereço de venda. Aviso no blog quando houver. O primeiro livrinho de muitos... com certeza.

14/07/2010

BECOS


BECOS

Luzes da cidade
Noite nas esquinas
Reflexos de néon
No fio da madrugada
Ando pela rua
Negros pensamentos

Luzes da cidade
Passos na calçada
Sombras esguias
Bichos noturnos
Olhos que brilham
Em seres invisíveis

Luzes da cidade
Mentes vazias
Andares furtivos
Entre bares e becos
No fio da navalha
Úmidos vermelhos

Noite na cidade
Ando solitária
Por trilhas esquecidas
Busco alguma coisa
Que mostre a saída
E diga que estou viva

12/07/2010

O Teatro


Desenho feito com pena de bambu, extrato de nogueira sobre papel artesanal. Nos objetos de tempos remotos procuro a mim mesma... No teatro me encontro.
Não suportando definições fechadas, prefiro me manter indefinida. Mudanças capitais de tempos em tempos, para não assentar poeira. Quero sempre me manter como as sombras fugidias, o cheiro da chuva, os sons efêmeros das risadas, as lendas contadas em rodas de fogueira.

10/07/2010

Memórias

ESTILETE
PREGO
PAPEL
CANETA
PINCEL
DEFINITIVAMENTE
NÃO EXISTEM
SÃO EXTENSÕES DA MÃO
E A TINTA O SANGUE
MESMO ASSIM FLUI
MESMO ASSIM DÓI

09/07/2010

Malha Urbana



O que é uma cidade? Além de tudo o que se apresenta, temos a perspectiva a partir dos nossos olhos e do nosso pensar, das nossas memórias. Cada parte da imagem, arquitetural ou não, modificando-se por este ponto de vista em movimento, gerando infinitas possibilidades visuais. Uma massa que se transforma eternamente à nossa volta e justamente por isto é também transformadora: à mercê de seus efeitos, mas também participando de seu cotidiano, a cidade se desenvolve diante e a partir de nós e nós, diante e a partir dela.

08/07/2010

Era uma vez no Pântano dos Gatos








"Era uma vez no Pântano dos Gatos"... ou "By the bog of cats"
Tive o privilégio de participar desta leitura dramática encenada, escrita pela irlandesa Marina Carr, traduzida por Alinne Fernandes e dirigida por Carmen Fossari. Aconteceu em 28 e 29/06 no Teatro da UFSC e foi uma apresentação da Oficina Permanente de Teatro - OPT. Trabalho vocal de Ive Luna e corporal de Mariana Lapolli. Atores: Alê Borges, Ana Paula Lemos Souza, Antonieta Mercês, Cristiano Mello, Neusa Borges, Douglas Maçaneiro, Flora Moritz, Simão Grubber, Marcia Cattoi, Marlon Casarotto, Nathan Carvalho, Roberto Moura e Lechuza Kinski.
Todo processo foi registrado em fitas cassetes, vídeos e fotografias. O texto dos atores e atrizes , bem como o da direção , servirão de subsídios à tese de Doutorado de Alinne Fernandes na “Queen´s University Belfast, Santander Universities Network”. A pesquisa de Alinne, que já foi aluna de teatro da OPT-DAC, versa sobre o tema O TRADUTOR E A DIREÇÃO.
Um texto envolvente, figurino vintage, ambientação com efeitos de fog, iluminação indireta, video e coro - corpo e voz fizeram desta, uma experiência cênica única! Interessante e perturbadora... Escrevi o texto abaixo sob os efeitos da peça e mesmo tendo passado 10 dias, não podia deixar de escrever sobre o assunto...

DIVAGAÇÕES NO PÂNTANO DOS GATOS
Na sacada, envolvida por um manto de dúvidas, admiro o céu. Nuvens muito altas e ralas estão pintadas na abóbada azul. Um breve olhar abaixo, à terra, pesados mosaicos de prédios. Pesadas também as relações quase visíveis ligando pessoas como fios entre traços e volumes. Inevitáveis. Faço parte disto, mas reluto em acreditar. Lá no fundo o mar, novo sopro de azul, de vazio, de salvação. Encaminho pensamentos rentes ao chão para lá se afogarem. Já posso voltar agora. Não menos leve nem menos tensa. Apenas eu, caleidoscópio.



07/07/2010

Noite


É NOITE
AMANHÃ ONDE PRETENDO ESTAR?
É NOITE
MEU PENSAMENTO
É LIVRE
PODE IR
À TERRAS DISTANTES
CONSTRUIR
CASTELOS E PONTES
CIDADES DE LUZ
CACHOEIRAS DE SOM
MAS
IRONICAMENTE
PERGUNTA E PLANEJA
SIMPLESMENTE
O MEU AMANHÃ

LIVRE

TÃO LIVRE QUERO ESTAR
QUE ATÉ DAS PALAVRAS
BUSCO ESQUECER O SENTIDO
TODOS OS SENTIMENTOS
TENTO ESCONDER DO MUNDO
E ATÉ DE MIM MESMA
BUSCO O NÃO SER, O VAZIO
MAS O PESO ME EXIGE O CHÃO
O BARULHO DO VENTO ME LOCALIZA
E A PALAVRA
MAIS QUE TUDO
VIAJA PELO CORPO
E COMANDA MEU BRAÇO
AUTORITÁRIA

05/07/2010

CONTRASTE


AO MEIO-DIA
TODO PRETO E O BRANCO
TODO CONTRASTE
DECLARA
A VERDADE
TODOS OS CORPOS
CAMINHAM
E CEGOS
CONVENCEM
A ENGRENAGEM
A ANDAR

À MEIA-NOITE
TODOS OS GATOS
SÃO PARDOS
E A ALMA
VOA
A CORES

04/07/2010

O mar numa concha


OS SONHOS SOPRAM
AS RESPOSTAS
DOS MEUS ENIGMAS

LIBERTAM OS MONSTROS
QUESTIONADORES
DAS MINHAS ESFINGES

ABRAÇAM OS MUNDOS
PARALELOS
DAS MINHAS TEIAS

Iniciando...

Bem-vindos ao meu blog recém criado. Através dele, quero espalhar minhas pinceladas, palavras, pensamentos pelo mundo... Uma boa navegação a todos!