09/12/2010

Ainda sobre Mahagonny...

ASCENSÃO E QUEDA DA CIDADE DE MAHAGONNY, da obra de Bertolt Brecht com Direção de Carmen Fossari (04,05, 06 dez/2010 Teatro da UFSC). Uma peça envolvente no desenvolvimento, plasticamente interessante (ambientada nos anos 30), mas principalmente, aborda um tema universal, atemporal, tratado com ironias e verdades brutas: a cidade. A cidade com todos os seus dilemas. As relações entre as pessoas, interesses e crenças, a lei e o poder, o amor (?), o dinheiro e os vícios.

O texto foi criado originalmente para uma ópera. Traduzida e encenada, então se multiplica. Tem várias falas coletivas, um ritmo musical, planos de ação, vídeos e personagens memoráveis. Não dá para chamar de comédia nem tragédia. Uma sátira social? Sim, mas com poesia, razão + emoção. Uma obra considerada Épica. O público não se coloca no lugar do herói ou de outro personagem, é o teatro da não-catarse. Apesar disto, a peça tem um assunto que paira acima de todos, acima... ou nos seus estômagos.

Esteticamente, vi a figura da diretora como alguém que pinta uma tela ou como um maestro de orquestra. Não somente nesta obra, mas especialmente nela. Harmoniza os instrumentos para um resultado muito além de sua importância literária, subtextos ou crítica social. Arte.
Como personagem, sinto o peso de uma classe, sensação intensificada pelo texto trabalhado em grupo. Ali não sou um indivíduo, apesar de imaginar a história da personagem, explorar seus desejos, defeitos e (porque não?) virtudes. Mergulhar no mundo de Mahagonny é surreal. Espero que tenham gostado da peça, é um presente-surpresa.

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