27/09/2010

Fábula

E a cidade se estende, por dentro e por fora, num ir e vir sem fim. Sombras e luz, matéria e memória. E o novo se faz velho no momento seguinte em que se ergue, porque o novo já vem vindo sob a forma de projeto, brotando sem controle. E o velho já vai indo, desgastando quase sem notar. Perceber a cidade é uma experiência vívida que não se repete nunca. Não pode ser explicada porque precisa ser explorada individualmente através do espaço e do tempo, devido a sua dimensão e complexidade. A soma destas experiências forma a imagem plural da cidade, numa sobreposição de idéias com pontos em comum. Decifra-me ou devoro-te, diz a cidade com cabeça humana e corpo de bicho, e cumpre.

Um comentário:

  1. Excelente texto! Muito criativo e envolvente pela representatividade cultural que, de certa forma, não se preocupa em explicar a pluralidade dos acontecimentos, mas levantar pontos de vista.
    Parabéns, grande amiga Márcia, revelando-se nas artes em geral.
    Siga em frente!

    ResponderExcluir